16.5.09
Quem quer pagar pela pirataria?
A pergunta pode parecer absurda mas a resposta é surpreendente: muitos de nós. Senão vejamos:
Estes três sintomas têm em comum que os consumidores estão a gastar dinheiro para consumir produtos culturais sem que os detentores de direitos de autor recebam um tusto. Perante estes fortes sinais que o seu modelo de negócios está errado, o que decide fazer a indústria cultural? Continuar a ir atrás dos "piratas" - muito dos quais são os mesmos que garantem a sua subsistência.
Se não mudarem de atitude rapidamente, não estará longe o dia em que a única razão para comprar uma rodela de plástico de 12cm seja copiar para disco... e partilhar com os amigos.
- Nova legislação mais apertada na Suécia levou o famoso Pirate Bay a criar um serviço pago para garantir o anonimato dos utilizadores. Centenas de milhares aderiram logo nas primeiras semanas.
- Tudo indica que o site de alojamento de ficheiros Rapidshare está a ganhar uma fortuna com o serviço pago que permite tráfego ilimitado.
- Leitores multimédia com disco rígido para ligar à TV estão com vendas impressionantes. Este fim de semana perguntei numa loja localizada numa grande superfície qual a diferença de vendas destes dispositivos em relação ao leitores Blu-Ray e ele disse-me que não há comparação, as vendas de Blu-Ray são ínfimas ao passo que os discos multimédia dispararam no último ano. Conheço quem pague por DVDs para depois os despejar no leitor, mas escusado será dizer qual a forma mais popular de encher um disco de 1TB...
Estes três sintomas têm em comum que os consumidores estão a gastar dinheiro para consumir produtos culturais sem que os detentores de direitos de autor recebam um tusto. Perante estes fortes sinais que o seu modelo de negócios está errado, o que decide fazer a indústria cultural? Continuar a ir atrás dos "piratas" - muito dos quais são os mesmos que garantem a sua subsistência.
Se não mudarem de atitude rapidamente, não estará longe o dia em que a única razão para comprar uma rodela de plástico de 12cm seja copiar para disco... e partilhar com os amigos.
Etiquetas: pirataria
26.7.07
A PJ, os ISP e o incitamento ao crime
A PJ deteve os autores e aprendeu máquinas de três sites de partilha de ficheiros, incluíndo o famoso Btuga (o 29º site mais visto pelos Portugueses, segundo a Alexa).
Até aqui nada de novo, os responsáveis dos sites estavam tão seguros que nunca teriam problemas com as autoridades que nem esconderam a sua identidade no registo dos domínios. E, claro, existem sempre as convicções um pouco ingénuas que "roubar e matar é que são crimes", "partilha é legal segundo a nossa legislação" e o clássico "a polícia não percebe nada destas coisas". Isto é um filme a que já assisti várias vezes. Adiante...
O Comunicado da PJ faz alusão a algo que já referi neste blog: a publicidade agressiva dos ISP que incita os seus clientes à pirataria. Um exemplo recente: a campanha da Vodafone ADSL incluí um clip onde se diz algo do género "agora já podes puxar filmes mais rapidamente". Ora, ainda não existe forma legal (leia-se: a pagante$) dos cibernautas lusos puxarem filmes (pelo menos os ditos "blockbusters"). Q.E.D.
A talho de foice, o Tribunal Europeu de Justiça emitiu uma sentença onde a privacidade dos cibernautas se sobrepõe à perseguição deste ilícito civil desde que seja praticado sem fins lucrativos. Faz todo o sentido mas, infelizmente, não é vinculativo para os países da União.
Até aqui nada de novo, os responsáveis dos sites estavam tão seguros que nunca teriam problemas com as autoridades que nem esconderam a sua identidade no registo dos domínios. E, claro, existem sempre as convicções um pouco ingénuas que "roubar e matar é que são crimes", "partilha é legal segundo a nossa legislação" e o clássico "a polícia não percebe nada destas coisas". Isto é um filme a que já assisti várias vezes. Adiante...
O Comunicado da PJ faz alusão a algo que já referi neste blog: a publicidade agressiva dos ISP que incita os seus clientes à pirataria. Um exemplo recente: a campanha da Vodafone ADSL incluí um clip onde se diz algo do género "agora já podes puxar filmes mais rapidamente". Ora, ainda não existe forma legal (leia-se: a pagante$) dos cibernautas lusos puxarem filmes (pelo menos os ditos "blockbusters"). Q.E.D.
A talho de foice, o Tribunal Europeu de Justiça emitiu uma sentença onde a privacidade dos cibernautas se sobrepõe à perseguição deste ilícito civil desde que seja praticado sem fins lucrativos. Faz todo o sentido mas, infelizmente, não é vinculativo para os países da União.
3.5.07
HD-DVD: Quando os advogados atacam!
Desde que em Dezembro um hacker conhecido por muslix64 conseguiu derrotar (ou contornar, para ser mais exacto) a protecção dos HD-DVD era uma questão de tempo até os advogados entrarem em acção.
Foi o que aconteceu neste últimos dias em que donos de fórums, sites e até o Google (leiam a carta ameaçadora) foram intimados a retirar toda a informação sobre como fazer cópias de filmes HD-DVD e Blu-Ray.
Obviamente que não vou advogar aqui a pirataria mas mais uma vez o que está a acontecer é uma consequência do facto dos patrões da indústria se preocuparem mais com os lucros do que com os direitos dos consumidores (legais, claro!).
As protecções introduzidas são de tal ordem que muitos dos que hoje estão a adquirir equipamentos audiovisuais não vão conseguir ver os seus novos filmes em alta definição. Aliás, foi exactamente esse o motivo que motivou muslix64 a desproteger os discos que comprou. Faz algum sentido fazer um forte investimento num plasma gigantesco, bom sistema de áudio, leitor HD e depois verificar que apenas consegue ver filmes com a resolução dos DVD actuais?
Os grandes estúdios, tal como as principais editoras musicais, hão-de perceber que não lucram em alienar quem lhes dá o dinheiro a ganhar. Na música, após a revolta dos consumidores, já praticamente desapareceram os CD protegidos e os downloads vão pelo mesmo caminho. Esperemos que a indústria dos filmes seja mais rápida a aprender a lição, para bem dos consumidores.
Desde que em Dezembro um hacker conhecido por muslix64 conseguiu derrotar (ou contornar, para ser mais exacto) a protecção dos HD-DVD era uma questão de tempo até os advogados entrarem em acção.
Foi o que aconteceu neste últimos dias em que donos de fórums, sites e até o Google (leiam a carta ameaçadora) foram intimados a retirar toda a informação sobre como fazer cópias de filmes HD-DVD e Blu-Ray.
Obviamente que não vou advogar aqui a pirataria mas mais uma vez o que está a acontecer é uma consequência do facto dos patrões da indústria se preocuparem mais com os lucros do que com os direitos dos consumidores (legais, claro!).
As protecções introduzidas são de tal ordem que muitos dos que hoje estão a adquirir equipamentos audiovisuais não vão conseguir ver os seus novos filmes em alta definição. Aliás, foi exactamente esse o motivo que motivou muslix64 a desproteger os discos que comprou. Faz algum sentido fazer um forte investimento num plasma gigantesco, bom sistema de áudio, leitor HD e depois verificar que apenas consegue ver filmes com a resolução dos DVD actuais?
Os grandes estúdios, tal como as principais editoras musicais, hão-de perceber que não lucram em alienar quem lhes dá o dinheiro a ganhar. Na música, após a revolta dos consumidores, já praticamente desapareceram os CD protegidos e os downloads vão pelo mesmo caminho. Esperemos que a indústria dos filmes seja mais rápida a aprender a lição, para bem dos consumidores.
7.2.07
Steve Jobs apela ao fim das protecções anti-pirataria
Steven Jobs, presidente da Apple, apelou às editoras para venderem as suas músicas sem protecção anti-pirataria (ver notícia no Diário Digital).
De facto, o fim dessas medidas seria um passo em frente para a protecção dos direitos dos consumidores. Consumidores legais, entenda-se, que os outros lá vão arranjando formas de contornar as ditas protecções.
Steve merece ser aplaudido pelas corajosas afirmações. Resta saber qual o grau de sinceridade se tomarmos em conta que parte do presidente duma firma que está em maus lençóis em termos legais exactamente por causa das protecções nos seus produtos iTunes e iPod (ver notícia e post).
Steven Jobs, presidente da Apple, apelou às editoras para venderem as suas músicas sem protecção anti-pirataria (ver notícia no Diário Digital).
De facto, o fim dessas medidas seria um passo em frente para a protecção dos direitos dos consumidores. Consumidores legais, entenda-se, que os outros lá vão arranjando formas de contornar as ditas protecções.
Steve merece ser aplaudido pelas corajosas afirmações. Resta saber qual o grau de sinceridade se tomarmos em conta que parte do presidente duma firma que está em maus lençóis em termos legais exactamente por causa das protecções nos seus produtos iTunes e iPod (ver notícia e post).
Operadores de Internet piores que ciganos?
Sempre que aparece uma promoção a acesso à Internet, a razão para comprar o produto é possibilitar downloads mais rápidos. Olhando para o último anúncio da Tele2, parece que agora é possível estar o dia todo a fazer downloads de música. Ora, ao preço nacional médio de 2 Euros por faixa musical, isto quer dizer que os rapazolas gastam umas largas centenas de euros por dia em música legal!
Ou então...
... não gastam e os operadores promovem a pirataria (rapidissima!) como a principal razão para ter Internet. Mas isso colocaria firmas sérias e cotadas em bolsa como promotoras da pirataria colocando-as ao nível dos ciganos que vendem CDs e DVDs manhosos nas feiras. E isso pode lá ser!
Sempre que aparece uma promoção a acesso à Internet, a razão para comprar o produto é possibilitar downloads mais rápidos. Olhando para o último anúncio da Tele2, parece que agora é possível estar o dia todo a fazer downloads de música. Ora, ao preço nacional médio de 2 Euros por faixa musical, isto quer dizer que os rapazolas gastam umas largas centenas de euros por dia em música legal!
Ou então...
... não gastam e os operadores promovem a pirataria (rapidissima!) como a principal razão para ter Internet. Mas isso colocaria firmas sérias e cotadas em bolsa como promotoras da pirataria colocando-as ao nível dos ciganos que vendem CDs e DVDs manhosos nas feiras. E isso pode lá ser!